A mensagem chegou num domingo à tarde. Luísa estava deitada no sofá, lendo um livro, o Toby dormindo aos pés. O celular vibrou em cima da mesa de centro.
Ela pegou e viu o nome: primo Léo. Não o Rodrigo, que ela já tinha atendido antes. O Léo, filho da tia Sandra, que ela via uma vez por ano no Natal.
A mensagem: "Lu, beleza? Preciso de mil reais emprestado. É urgente. Pago mês que vem. Me salva."
Luísa leu duas vezes. Depois virou o celular contra o peito e ficou olhando para o teto.
— Quem é? — Carlos perguntou, entrando na sala com uma caneca.
— Primo Léo.
— Qual Léo?
— O filho da tia Sandra. A gente se vê no Natal.
— O que ele quer?
Luísa mostrou a mensagem. Carlos leu e assobiou baixinho.
— Mil reais?
— Mil reais. Pra pagar mês que vem.
— E você vai?
Luísa balançou a cabeça.
— Não.
Ela sentou direito no sofá. O Toby resmungou, reclamando do movimento, e se esticou de novo. Ela pegou o celular e escreveu:
"Oi, Léo. Não vou poder ajudar esse mês. Espero que resolva. Beijo."
Mandou. O celular ficou na mesa.
— Só isso? — Carlos perguntou.
— Só isso. Não preciso explicar por quê.
— E se ele insistir?
— Aí eu repito.
O celular vibrou. Léo respondeu: "Tá bom, Lu. Falou."
Luísa guardou o celular. Pegou o livro de volta. A tarde continuou, o sol entrando pela cortina, o Toby roncando baixinho. Não precisava de mais nada.
*Continua em: livreto-641.md — Carlos — Como lidar com avós?*