Carlos marcou de encontrar Beto num bar perto da casa do irmão. Um lugar simples, com mesas de plástico na calçada e uma televisão pendurada no canto passando futebol. Pediram duas cervejas e ficaram em silêncio nos primeiros minutos.
Carlos não sabia como começar. Desde o empréstimo que ele fez, e depois o pedido que ele recusou, a relação com Beto estava estranha. Não tinha briga. Mas tinha um peso no ar.
— Tá tudo bem com você? — Carlos perguntou.
Beto tomou um gole de cerveja.
— Tô. Apertado, mas tô.
— O pagamento da firma entrou?
— Entrou. Mas já era tarde. Perdi o carro.
Carlos sentiu um aperto no peito.
— Perdeu como?
— O banco tomou. Atrasou três parcelas.
Beto contou a história enquanto a noite caía. A luz do bar iluminava o rosto cansado dele. Ele falou dos erros, das escolhas, de como tentou segurar as pontas sozinho sem pedir ajuda.
— Por que você não falou antes? — Carlos perguntou.
— Porque é difícil.
— Mais difícil do que perder o carro?
Beto não respondeu. Ficou olhando para o copo.
Carlos apoiou os braços na mesa.
— Olha, Bet. Eu quero que a gente converse sobre isso sem brigar. Tô do seu lado. Sempre estive. Mas não adianta você passar aperto sozinho e eu ficar sabendo depois.
— E o que você sugere?
— Sugiro que da próxima vez que apertar, você me fale antes. Não pra eu te dar dinheiro. Pra gente pensar junto.
Beto balançou a cabeça. Não concordou nem discordou. Mas o copo dele encontrou o de Carlos num brinde silencioso.
*Continua em: livreto-640.md — Luísa — Como recusar pedido de empréstimo do primo?*