Luísa estava no ponto de ônibus quando o salário caiu. Ela viu a notificação na tela do celular e imediatamente pensou no dinheiro que Dona Lúcia tinha emprestado para Carlos na semana passada. Quinhentos reais para o conserto do carro.
Ela abriu o aplicativo do banco e fez a transferência na hora. Pix. Quinhentos reais. Na mensagem, escreveu: "Dona Lúcia, o dinheiro do carro. Muito obrigada pela ajuda. Beijo, Luísa."
Guardou o celular. O ônibus chegou, ela entrou e sentou perto da janela. A cidade passava lá fora, os prédios, as árvores, as pessoas nos pontos seguintes.
O celular vibrou. Era Dona Lúcia.
"Luísa, não precisava ter pago tão rápido. Mas obrigada pela honestidade. Beijo."
Luísa sorriu. Não precisava ter pago tão rápido, mas preferia assim. Não gostava de dever. E para a sogra, menos ainda.
Mais tarde, em casa, Carlos perguntou:
— Pagou a minha mãe?
— Paguei.
— Ela disse que você pagou antes do combinado.
— O dinheiro entrou, paguei.
Carlos sentou ao lado dela no sofá.
— Ela gostou. Falou que você é cuidadosa.
— Cuidadosa?
— Ela disse que você é do tipo que paga antes de cobrarem.
Luísa apoiou a cabeça no ombro dele. O Toby pulou no sofá e se espremeu entre os dois.
— É que eu sei como é ficar esperando dinheiro que emprestei. Não quero que ninguém passe por isso por minha causa.
— Por isso que ela gosta de você.
Luísa fechou os olhos. Não era sobre agradar a sogra. Era sobre ser o tipo de pessoa que paga o que deve. O resto vinha naturalmente.
*Continua em: livreto-639.md — Carlos — Como falar com irmão sobre dinheiro sem brigar?*