Carlos estava na sala, olhando para o telefone. A tela mostrava o contato de Dona Margô. Ele passou a mão na nuca, uma, duas vezes.
Luísa entrou com uma xícara de chá.
— Ainda não ligou?
— Não.
— É só ligar, Carlos.
— Eu sei.
Ele sabia que era só ligar. Mas não era simples. Dona Margô era a mãe da Luísa. Ela sempre foi gentil com ele, sempre o tratou bem. Mas pedir dinheiro para a sogra tinha um peso diferente.
A situação era urgente. O carro tinha quebrado no meio da semana — a correia do alternador tinha arrebentado. O mecânico orçou mil e duzentos. Carlos tinha setecentos na conta. Faltavam quinhentos.
— Sua mãe não vai me julgar? — ele perguntou.
— Julgar por quê? Todo mundo tem um imprevisto.
— É sua mãe.
— É. E ela gosta de você. Liga.
Carlos respirou fundo e apertou o botão de ligar. Três toques. A voz de Dona Margô atendeu.
— Carlos! Que surpresa. Tudo bem?
— Tudo, Dona Margô. A senhora tá bem?
— Tô, graças a Deus.
Ele fechou os olhos e falou.
— Dona Margô, preciso pedir um favor. Meu carro quebrou e o conserto é mais caro do que eu tenho agora. A senhora poderia me emprestar quinhentos reais? Pago mês que vem, assim que entrar o salário.
Silêncio.
— Claro, Carlos — Dona Margô respondeu, a voz calma. — Me manda o pix.
Ele sentiu o peito aliviar.
— Muito obrigado. Mês que vem, sem falta.
— Não precisa se preocupar. Acontece. E me avisa se precisar de carro, que eu posso emprestar o meu também.
Quando desligou, Carlos ficou olhando para o celular. Luísa sorriu da porta.
— Viu? Foi fácil.
— Foi — ele respondeu. — Mas ainda prefiro pedir pro banco.
*Continua em: livreto-638.md — Luísa — Como devolver dinheiro emprestado pelos sogros?*