Carlos e Luísa estavam na sala. Ela estava no sofá com o celular, o Toby deitado no colo dela. Ele estava na poltrona, lendo um livro. O silêncio era confortável até Luísa falar.
— Minha tia me pediu um dinheiro.
Carlos baixou o livro.
— De novo?
— Não — ela riu. — Não é pra mim. É pro meu primo, o filho dela. O Henrique.
— O que ele tem?
— Ele vai fazer um intercâmbio. Mas precisa de uma grana pra entrada.
Carlos fechou o livro e colocou no colo. Ele não conhecia bem o Henrique. Tinha visto o primo da Luísa uma vez, num churrasco de família, e a impressão foi de um garoto esforçado. Mas a pergunta que veio à cabeça era outra.
— E a gente vai emprestar?
Luísa apoiou o queixo na mão.
— Não sei. Queria saber o que você acha.
Carlos pensou. O dinheiro era deles dois. A conta era conjunta, os objetivos eram compartilhados. Um empréstimo para um parente dela não era decisão só dela.
— Você acha que ele paga?
— Acho. Ele é responsável.
— E se não pagar?
Luísa fez uma pausa.
— Aí a gente tem que saber se a relação com a minha tia vale mais que o dinheiro.
— Vale?
— Vale.
Carlos assentiu. — Então a gente empresta. Mas combina direitinho. Prazo, valor, como vai ser.
— Combinado — Luísa disse. — Vou chamar ele pra conversar.
No dia seguinte, Luísa ligou para o primo. Acertaram o valor, o prazo e a forma de pagamento. Tudo por escrito. Carlos ficou ouvindo a conversa da cozinha, mexendo o café. Quando ela desligou, veio com um sorriso.
— Resolvido.
— Ficou bom?
— Ficou. Ele até agradeceu.
Carlos tomou um gole de café. Não era sobre o dinheiro. Era sobre os dois estarem no mesmo lado da mesa quando a conversa envolvia família.
*Continua em: livreto-636.md — Luísa — Como falar sobre dinheiro com sogro ou sogra?*