Como recusar pedido de dinheiro dos pais?

Luísa

O jantar tinha terminado. Luísa estava na pia lavando a louça, a água morna correndo entre os dedos, quando Dona Margô se aproximou com a xícara de café vazia.

— Filha, posso falar uma coisa?

Luísa virou a torneira. Enxugou as mãos no pano de prato.

— Pode.

— É sobre o dinheiro do conserto do telhado.

Luísa sentiu o estômago apertar. Ela já tinha ouvido falar do telhado. A mãe tinha comentado na semana passada que precisava trocar umas telhas antes do fim do ano.

— A obra vai sair mais cara do que eu pensei. Orçaram três mil. E eu tenho dois guardados. — Dona Margô fez uma pausa. — Você pode completar o resto?

Luísa olhou para a mãe. A luz fraca da cozinha iluminava os cabelos grisalhos, as mãos segurando a xícara. Dona Margô sempre foi independente. Nunca pedia nada para ninguém. Ver ela ali, pedindo, mexia com Luísa.

Mas ela também sabia que esse mês tinha fechado as contas no zero. O estúdio tinha pago, mas o dinheiro extra tinha ido para o presente de aniversário de Carlos e para a reserva que ela estava tentando reconstruir.

— Mãe... esse mês não vai dar.

Dona Margô não mudou a expressão. Só balançou a cabeça, devagar.

— Tudo bem, filha. Eu me viro.

— Espera. — Luísa apoiou as mãos no balcão. — Eu não posso dar o dinheiro agora. Mas posso ajudar de outro jeito.

— Que jeito?

— Posso ir com você no próximo orçamento. Ver se tem como negociar. Ou parcelar.

Dona Margô sorriu. Não era o sorriso de quem esperava mais. Era o sorriso de quem aceitava a ajuda que recebia, mesmo sendo diferente da que pediu.

— Tá bom. Semana que vem vou pedir um segundo orçamento.

Luísa abraçou a mãe. Sentiu o cheiro de café e talco. Não precisava ser dinheiro. Precisava ser presente.

*Continua em: livreto-633.md — Carlos — Como falar que não pode emprestar dinheiro para irmão?*