O grupo da família no WhatsApp não parava de vibrar. Luísa olhou para a tela: quarenta e três mensagens não lidas. Ela abriu o aplicativo e foi direto para a conversa. Uma tia tinha postado um comprovante de transferência, dizendo que tinha pago o churrasco do mês passado. Embaixo, o primo Júnior comentou: "Agora falta a Luísa acertar a parte dela."
Luísa congelou. O churrasco de dois meses atrás. Ela lembrava de ter pago. Tinha transferido o valor no mesmo dia para a tia que organizou.
Ela respirou fundo e respondeu: "Oi, tia. Eu transferi no dia. Vou ver aqui no extrato."
Respondeu na hora. "Tem certeza, filha? Pode ter esquecido."
Luísa foi para o aplicativo do banco. Procurou a data do churrasco. Achou a transferência em três toques. Tirou um print.
Mandou no grupo: "Transferi dia 12, 11h47. Segue o comprovante."
Silêncio. Três minutinhos depois, a tia respondeu: "Verdade, Luísa. Já tô velha, perdi o print. Desculpa."
Luísa guardou o celular e ficou olhando para a parede. O Toby se aproximou, encostou o focinho na perna dela. Ela fez carinho na cabeça dele.
Mais tarde, no sofá, Carlos perguntou:
— Resolveu?
— Resolveu. Mas me deixou pensando.
— No quê?
— Em como a gente fica devendo antes de provar que pagou. Parece que a palavra da gente não vale.
— E vale?
Luísa pensou.
— Devia valer. Mas ter o comprovante salvo ajuda.
Ela abriu o arquivo de prints no celular e criou uma pasta nova: "Pagamentos família". Não era desconfiança. Era só não passar por isso de novo.
*Continua em: livreto-629.md — Carlos — Como recusar emprestar dinheiro para familiar?*