Carlos estava no ponto de ônibus quando viu o nome do primo Léo na tela. O sol da manhã batia no asfalto, e o calor já começava a apertar. Ele atendeu.
— E aí, Carlos? Beleza?
— Beleza. O que houve?
— Chegou o dinheiro que eu tava esperando. Mês que vem eu te pago, pode deixar.
Carlos apertou o telefone contra a orelha. Fazia quatro meses que Léo tinha pedido setecentos reais emprestados. O combinado era pagar em dois meses. Ele segurou a vontade de dizer que já tinha ouvido essa história antes.
— Tá — Carlos respondeu. — Mês que vem, então.
— Pode confiar.
Desligou. Carlos guardou o celular no bolso e ficou olhando para o movimento da rua. Um cachorro passou na calçada oposta, puxando o dono. Um entregador de aplicativo passou de bike.
Ele não sabia se acreditava. Mas sabia que não adiantava cobrar agora com raiva. Já tinha passado pela fase de ficar remoendo. Agora o dinheiro estava emprestado, e a única coisa que ele podia控制 era como lidava com isso.
Na noite anterior, ele tinha conversado com Luísa na sala. O Toby dormia enroscado no tapete.
— Quatro meses — Luísa disse. — Você vai cobrar?
— Já cobrei duas vezes. Na terceira fica chato.
— Então deixa pra lá?
Carlos balançou a cabeça.
— Não. Mas também não vou ligar toda semana. Da próxima vez que ele pedir, aí eu falo.
— Fala o quê?
— Que ainda não pagou o primeiro.
Luísa concordou com a cabeça. Não era sobre o dinheiro mais. Era sobre não deixar o silêncio virar constrangimento.
*Continua em: livreto-628.md — Luísa — Como lidar com família que acha que você deve dinheiro?*