Luísa estava no sofá, o Toby deitado aos pés, quando o celular vibrou. Mensagem do primo Rodrigo. Ela leu, franziu o cenho e leu de novo.
— O que foi? — Carlos perguntou da cozinha, mexendo o café.
— Meu primo. Pedindo dinheiro emprestado.
Carlos apareceu na porta com a caneca na mão.
— Quanto?
— Quinhentos.
Luísa apoiou o celular no colo e olhou para a janela. A luz da tarde entrava pela cortina bege. Ela e Rodrigo cresceram juntos. Ele sempre foi o primo mais próximo, o que aparecia nos aniversários, o que brincava com ela na casa da avó. Mas ele também era o que nunca se firmava em nada. Três faculdades abandonadas. Dois empregos que não duraram seis meses.
— Ele disse pra quê? — Carlos perguntou, sentando ao lado dela.
— Disse que é pra pagar uma dívida. Não entrou em detalhes.
— E você vai emprestar?
Luísa mordeu o lábio. O Toby levantou a cabeça, sentiu o clima, deitou de novo.
— Não sei. Parte de mim quer ajudar. Outra parte sabe que ele nunca pagou o que pediu no ano passado.
Ela pensou na última vez que emprestou. Quinhentos reais também. Rodrigo disse que pagava em dois meses. Fazia oito meses. Ela nunca cobrou. Ele nunca mencionou.
Luísa pegou o celular de novo. Digitou, apagou, digitou de novo.
— Se eu emprestar — ela disse — vou ter que falar sobre como vai ser.
— Tipo? — Carlos perguntou.
— Combinar prazo. E se ele não pagar, saber que foi uma escolha minha emprestar.
Ela enviou a mensagem:
*"Posso emprestar, Rodrigo. Mas vamos combinar: me paga em três parcelas de duzentos, a primeira mês que vem. Combinado?"*
A resposta veio rápido: *"Combinado. Valeu, prima."*
Luísa virou o celular contra o peito. Não sabia se ia receber. Mas pelo menos não ia ficar esperando sem saber.
*Continua em: livreto-627.md — Carlos — Como lidar com parente que não pagou um empréstimo?*