O restaurante estava no meio do expediente. Mesas ocupadas, garçons circulando entre mesas, o barulho de talheres e conversas abafadas. Carlos olhou para o lado da mesa onde o bolo de aniversário da Luísa esperava, ainda na caixa. A gerente tinha dito que eles podiam trazer o bolo, mas não tinha mencionado velas.
— Tá na hora — Luísa disse, inclinando a cabeça para o lado. — Vou pedir a sobremesa.
Carlos passou a mão na nuca.
— E o bolo?
— A gente pede depois da sobremesa.
— Mas precisa de vela.
Luísa arqueou uma sobrancelha. Carlos sentiu o peso da situação. Ele tinha que pedir. Mas para quem? O garçom estava do outro lado do salão, anotando o pedido de uma mesa de quatro pessoas. Outro garçom passou correndo com uma bandeja. Um terceiro estava no balcão, mexendo no sistema.
Carlos levantou a mão, hesitante. O garçom mais próximo não viu. Ele tentou de novo, a mão um pouco mais alta. Nada.
— Carlos — Luísa disse, a voz calma. — É só chamar.
— Eu sei — ele respondeu, mas não se mexeu.
Ele olhou para o balcão. A gerente estava de costas, conferindo uma comanda. O garçom que passou com a bandeja já tinha sumido na cozinha. Carlos respirou fundo e se levantou.
Caminhou até o balcão. A gerente se virou quando ele se aproximou.
— Tudo bem? — ela perguntou, com um sorriso profissional.
— Sim — Carlos disse. — A gente trouxe um bolo. É aniversário da minha namorada.
— Que legal! — A gerente abriu o sorriso. — A senhora quer que a gente sirva?
— Se possível. E... tem como arrumar velas?
— Claro! Deixo preparado aqui e levo quando o senhor pedir.
Carlos respirou. Foi fácil. Ele voltou para a mesa e sentou.
— Resolvido? — Luísa perguntou.
— Resolvido.
— E foi difícil?
Carlos balançou a cabeça.
— Não. Só perguntei.
Luísa sorriu, apoiou o queixo na mão e olhou para ele com aquele olhar de quem sabia que ele ia conseguir.
*Continua em: livreto-624.md — Luísa — Como pedir empréstimo aos pais?*