A mesa do restaurante estava arrumada para a comemoração. Pratos limpos, talheres alinhados, copos de vinho já servidos. Era o aniversário da sociedade do estúdio. Cinco pessoas ao redor da mesa: Luísa, Camila, dois freelancers que trabalhavam com elas, e Carlos, convidado de honra.
O garçom trouxe a garrafa de espumante. O barulho da rolha saindo, o gás escapando, a espuma branca escorrendo pela boca da garrafa. Ele serviu todos.
Camila levantou o copo.
— Gente, quero agradecer...
— Espera — Luísa interrompeu. — Deixa eu fazer o brinde.
Camila baixou o copo, surpresa.
— Claro.
Luísa segurou a taça pelo pé. Olhou para cada um ao redor da mesa. O espumante borbulhava contra o vidro.
— Faz dois anos que a gente abriu o estúdio — ela começou. — Dois anos. E eu lembro do primeiro mês, quando a gente achou que não ia fechar nem o aluguel.
— Nossa, nem lembra disso — um dos freelancers disse.
— Eu lembro. E lembro de todo mundo que ajudou. Camila, que não desistiu na primeira crise. Carlos, que segurou minhas pontas em casa quando eu virava noite trabalhando.
Carlos baixou os olhos com um sorriso.
— E vocês dois — ela olhou para os freelancers — que aceitaram trabalhar com a gente quando a gente mal tinha nome.
— Você vai fazer a gente chorar — Camila disse.
— Não vou, não. Só quero dizer: valeu a pena. Tudo. Cada noite virada, cada cliente difícil, cada erro. Porque chegamos até aqui.
Ela ergueu a taça um pouco mais acima.
— Então, ao estúdio. A nós. E aos próximos dois anos.
— A nós — todos repetiram.
Os copos se tocaram. O som do brinde, cinco taças tilintando juntas. O espumante subiu, desceu, o sabor doce e gelado.
Luísa bebeu. Colocou a taça na mesa. Carlos segurou a mão dela por cima da toalha.
— Foi bonito — ele disse baixinho.
— Obrigada por estar aqui.
— Tô sempre.
O garçom trouxe a entrada. A conversa voltou. O espumante descia devagar nas taças.
*Continua em: 623 — Pedir velas para o bolo*