O bar estava no final da noite. As cadeiras já estavam sendo empilhadas perto do balcão. O Thiago e Carlos dividiam a última cerveja, o copo quase no fim.
— Vou fechar — Carlos disse, levantando.
— Espera — Thiago falou, colocando a mão no braço dele. — Hoje é free.
— Que free?
— Você não lembra? Eu tô devendo desde aquele dia que você pagou o churrasco.
— Aquilo foi mês passado.
— E desde então eu não paguei nada. Fica quieto.
O Thiago já estava de pé, indo em direção ao balcão.
— Thiago, deixa.
— Senta.
Thiago pagou a conta no balcão, o cartão passado na máquina. Voltou com o comprovante.
— Quarenta e dois reais. Pago.
— Mas a cerveja foi metade minha.
— Foi sua, mas eu paguei. Próxima é você.
Carlos abriu a boca para discutir e fechou de novo. Aceitar também era um gesto. Deixar o outro pagar sem briga.
— Valeu — ele disse.
— Tranquilo.
Guardaram os celulares, os copos vazios ficaram na mesa. Saíram do bar juntos, a noite já virada.
— Semana que vem tem mais — Carlos disse.
— Com certeza. Aí a cerveja é sua.
— Trato feito.
Eles se despediram na esquina. Carlos virou para a esquerda, as mãos nos bolsos. Não foi difícil deixar o Thiago pagar. Só precisava não ter orgulho demais.
*Continua em: 622 — Como pedir um brinde?*