O café da tarde estava no fim. A xícara de Luísa já tinha acabado, o copo da Camila também. O sol da tarde entrava pela janela do café, manchas de luz na mesa de madeira.
Camila puxou a carteira.
— Hoje é minha vez — Luísa disse, rápida.
— Não, deixa.
— Camila, você me ajudou semana passada com aquele briefing. Ficou até as nove da noite comigo. Deixa eu pagar seu café.
— Isso foi trabalho.
— Foi amizade também. Deixa eu agradecer.
Camila hesitou com a mão dentro da bolsa.
— Você não precisa.
— Eu quero. E não tem discussão.
Luísa se levantou foi até o balcão, pagou os dois cafés e um pedaço de torta que elas tinham dividido. Pagou antes que a Camila pudesse alcançar o balcão.
Voltou com o comprovante na mão.
— Pronto. Pago.
— Você é teimosa — Camila disse.
— Aprendi com você.
Camila riu. Guardou a carteira de volta na bolsa.
— Da próxima eu pago.
— Combinado.
Elas terminaram a água que tinha sobrado no copo. Luísa olhou para a amiga.
— Sério, obrigada pela ajuda na semana passada.
Camila inclinou a cabeça.
— Foi nada.
— Foi sim. E o café foi pouco, mas foi o que coube agora.
— Coube bem.
Elas se levantaram. Na porta do café, Camila deu um abraço nela.
— Você é boa amiga.
— Você também.
A rua tinha o movimento da tarde. Luísa virou para a esquerda, Camila para a direita. Cada uma com seu rumo.
*Continua em: 621 — Como deixar um amigo pagar a conta?*