Como oferecer para pagar a conta sem constranger?

Carlos

O almoço no restaurante estava no final. Os pratos recolhidos, um café na frente de cada um, a conta na mesa perto do cotovelo de Carlos. Do outro lado, Beto folheava o cardápio de sobremesas.

Carlos olhou para a conta e depois para o irmão.

— Deixa que eu pago — ele disse.

Beto levantou os olhos do cardápio.

— Não, de jeito nenhum.

— Deixa. Você pagou a última.

— Isso foi mês passado.

— Então agora é minha vez.

Beto fechou o cardápio.

— Escuta, a gente divide.

— Eu quero pagar, Beto. Você fez questão de me levar na transportadora pra falar com o Carlos na semana passada. Gastou gasolina, gastou tempo. Deixa eu pagar o almoço.

Beto ficou em silêncio por um segundo, a mão parada na borda da mesa.

— Tá, mas na próxima eu pago.

— Na próxima a gente vê.

Carlos chamou o garçom, entregou o cartão antes que Beto pudesse reagir. O garçom passou na máquina, devolveu.

— Pronto.

Beto balançou a cabeça, mas não discutiu. Tomou o café. Depois olhou para Carlos.

— Valeu.

— Não precisa agradecer. Você faria o mesmo.

— Faço mesmo.

— Então tá quieto.

Eles terminaram o café. O garçom trouxe a maquininha para a assinatura. Carlos assinou no visor e guardou o cartão.

Na calçada, o Beto colocou a mão no ombro dele.

— Você tá mudado, sabia?

— Mudado como?

— Mais... maduro.

— É a Luísa.

— Ela faz bem pra você.

— Sei.

O sol da tarde batia na rua. Eles andaram até o carro sem falar, o silêncio confortável entre irmãos.

*Continua em: 620 — Como pagar a conta de um amigo sem constranger?*