A van do city tour parou no mirante da cidade. A guia, uma moça de nome Laura, com lenço colorido no pescoço e um sorriso largo, apontava os pontos históricos do alto da colina.
— Ali é o mercado municipal. Ali é a catedral. E ali, a praça central.
O grupo tirava fotos. Luísa estava perto da guia, apoiada no guarda-corpo.
— Laura — ela chamou, quando o grupo se espalhou.
— Fala.
— A gente quer almoçar num lugar legal depois do tour. Não num restaurante pra turista. Um lugar onde você mesma come.
Laura sorriu.
— Tem o Bar do Mineiro. É a duas quadras do mercado. Comida caseira, preço justo, a maminha com fritas é a melhor da cidade.
— Dá pra ir a pé?
— Dá. Daqui a gente desce a ladeira, passa pelo mercado, e o bar fica na esquina da praça. Não tem placa grande, é uma portinha branca. Você reconhece pela fila na hora do almoço.
— Tem fila?
— Tem, mas anda rápido. E vale a espera.
— O que mais você pede lá?
— A maminha que eu falei. E o caldo de feijão de entrada. E de sobremesa, o pudim caseiro. O pudim é divino.
Luísa anotou tudo mentalmente.
— Obrigada.
— Se quiser, posso levar vocês até lá. Meu tour termina no mercado.
— Sério? Pode?
— Claro. São cinco minutos a pé.
O grupo voltou para a van. A descida até o mercado foi rápida. Laura apontou a portinha branca no fim da rua.
— Ali. Pergunta pelo Seu Jorge. Fala que a Laura mandou.
— Valeu mesmo.
— Bom almoço.
Luísa chamou Carlos, que estava fotografando a fachada do mercado.
— O almoço é ali.
— Onde?
— Na portinha branca.
— Que portinha?
— A que tem fila na porta.
Carlos olhou. Um grupo de pessoas esperava em frente a uma porta branca sem placa.
— É ali?
— É ali. Maminha com fritas.
Ele guardou a câmera.
— Vamos.
*Continua em: 619 — Como oferecer para pagar a conta sem constranger?*