O restaurante em Lisboa estava cheio de turistas e locais misturados. O som de conversas em português de Portugal e inglês e francês se cruzava. Carlos e Luísa estavam numa mesa ao fundo, perto da janela que dava para uma rua de paralelepípedos.
O garçom trouxe a sobremesa — um pastel de nata com gelado — e perguntou se queria mais alguma coisa.
— Só a conta, por favor — Carlos disse.
O garçom voltou com o papel. R$ 78,00.
Carlos olhou para Luísa.
— Divide?
— Divide.
Ele ergueu a mão quando o garçom passou de novo.
— Desculpe. Pode dividir em dois cartões?
O garçom parou, processou.
— Em dois cartões?
— Sim. Cada um paga metade.
O homem balançou a cabeça.
— Na mesma máquina?
— Pode ser, sim.
— Vou verificar com o gerente.
Ele foi. Carlos e Luísa se entreolharam.
— Fiz algo errado? — ele perguntou.
— Não. É que aqui na Europa não é tão comum dividir em dois cartões. Eles preferem um cartão só e depois vocês acertam entre vocês.
O garçom voltou com o gerente. O gerente era um homem alto, com barba grisalha, semblante tranquilo.
— O senhor quer dividir a conta?
— Se possível, sim.
— Podemos passar metade em um cartão e metade no outro. Não é problema. Mas é mais comum um pagar e o outro transferir.
— Prefiro dividir agora.
— Tudo bem.
O gerente entregou a máquina para o garçom.
— Pode fazer.
O garçom passou primeiro o cartão de Carlos, R$ 39,00. Depois o de Luísa, R$ 39,00. Dois comprovantes, duas senhas.
— Pronto — o garçom disse.
— Obrigado.
O gerente deu um aceno e voltou para o balcão. Carlos guardou o cartão.
— Na próxima pago tudo e você me transfere — ele disse.
— Mais fácil — ela concordou.
— Mas agora já sei que pode.
Eles saíram para a rua de paralelepípedos. O ar fresco de Lisboa, o bonde passando ao longe.
*Continua em: 618 — Como pedir a um guia turístico para levar a restaurante local?*