Como pedir ao maître do cruzeiro uma mesa para dois?

Luísa

O restaurante italiano do navio tinha uma entrada elegante. Um pódio pequeno com um livro de reservas aberto, uma luminária direcionada para as páginas. O maître estava atrás, um homem de meia-idade com terno preto e um crachá dourado.

Luísa chegou primeiro. Carlos estava terminando de se trocar no camarote.

— Boa noite — ela disse.

— Boa noite, senhora. Tem reserva?

— Sim, em nome de Carlos.

O maître passou o dedo pela lista. Parou num nome.

— Aqui. Mesa para dois, perto da janela. O senhor Carlos pediu vista para o pôr do sol.

— Isso mesmo.

O maître pegou dois cardápios.

— Por favor, me acompanhe.

Ela seguiu entre as mesas. O restaurante estava pela metade, o sol começando a baixar no horizonte, o mar laranja e rosa através dos vidros. O maître parou numa mesa ao lado da janela.

— Esta é a mesa de vocês.

Luísa olhou para a vista. O horizonte aberto, o céu mudando de cor, as ondas calmas.

— É perfeita.

— O jantar começa com couvert da casa. O chef manda uma seleção de antepastos. Depois posso sugerir o vinho.

— Pode sugerir, sim.

O maître puxou a cadeira para ela. Ela sentou. Ele colocou o guardanapo no colo dela com um movimento rápido e preciso.

— O sommelier vem já. O senhor Carlos vai demorar?

— Dois minutos, no máximo.

— Então aguardo para servir o couvert.

Ele se afastou. Luísa ficou sozinha na mesa, a janela imensa na frente dela. O navio balançava leve. O mar se estendia até onde o olho alcançava.

Carlos apareceu dois minutos depois, a camisa azul clara, o cabelo ainda úmido do banho.

— Conseguiu a mesa da janela?

— O maître que trouxe. Parece que você pediu pôr do sol na reserva.

— A recepcionista sugeriu.

Ele sentou. O maître voltou com uma garrafa de água e dois pratinhos de couvert: azeitonas temperadas, pão focaccia, patê de tomate seco.

— O sommelier já vem — ele disse.

— Obrigada — Luísa respondeu.

Ela olhou pela janela. O sol estava quase tocando a linha do mar. Pegou o copo de água e brindou com Carlos sem dizer nada. A luz dourada preencheu o restaurante.

*Continua em: 615 — Como pedir ao garçom do cruzeiro uma refeição especial?*