O corredor do navio era longo, iluminado por luzes embutidas no teto, o chão forrado com um carpete azul-marinho com listras douradas. Carlos andava com o mapa do cruzeiro na mão, o papel dobrado em quatro.
Ele parou no balcão de recepção do deque principal. Uma moça de uniforme branco com detalhes azuis sorriu.
— Boa tarde. Precisa de ajuda?
— Sim — ele disse, apoiando o mapa no balcão. — Tem três restaurantes aqui no navio, certo?
— Quatro, na verdade. O buffet principal, o italiano, o oriental e o steakhouse.
Ele olhou para o mapa, depois para ela.
— Qual a diferença entre eles?
— O buffet é incluso, funciona café, almoço e jantar, mas é self-service. O italiano também é incluso, mas precisa reservar. O oriental é incluso também, com reserva. O steakhouse tem taxa extra.
— E a comida? Qual é melhor?
A recepcionista sorriu de novo, mais aberta.
— Depende do que você procura. O italiano é o mais romântico, as mesas são perto da janela, vista para o mar. O oriental é mais informal, tem rodízio de sushi. O steakhouse é o mais caro, mas a carne é realmente boa.
Carlos pensou.
— Quero levar minha esposa pra jantar hoje. Algo especial, mas sem pagar extra.
— Italiano, então. O couvert é incluso, o vinho é à parte. Se chegar às dezenove horas, pega o pôr do sol.
— Preciso reservar?
— Sim. Posso fazer agora.
Ela virou o monitor na direção dele.
— Para quantas pessoas?
— Duas.
— Nome?
— Carlos.
— Mesa para duas no italiano, hoje, dezenove horas. Confirmado.
Ela entregou um cartão pequeno com o número da reserva.
— É só apresentar na entrada. Fica no deque oito, à direita do elevador principal.
— Obrigado.
— Bom jantar.
Ele guardou o cartão no bolso. Subiu as escadas para o deque onde Luísa estava lendo na espreguiçadeira perto da piscina.
— Jantar no italiano hoje — ele disse. — Dezenove horas. Tem pôr do sol.
— Você já reservou?
— A recepcionista fez agora.
Ela fechou o livro, surpresa.
*Continua em: 614 — Como pedir ao maître do cruzeiro uma mesa para dois?*