O apartamento do Airbnb era pequeno mas bonito. Paredes claras, um sofá azul marinho, uma cozinha compacta mas equipada. Luísa abriu a cortina da sala e viu o movimento da rua.
Ela pegou o celular e abriu a conversa com o anfitrião. A mensagem automática de boas-vindas ainda estava no topo: "Se precisar de algo, é só me chamar. — Mariana."
Luísa escreveu e apagou três vezes. Depois mandou:
"Oi, Mariana! Chegamos bem. O apê é lindo. Uma pergunta: pode recomendar algum restaurante legal pra jantar hoje? Algo com comida típica, não muito caro."
Em dois minutos a resposta veio.
"Que bom que gostaram! Restaurante típico aqui perto tem o Cantinho da Rosa. É comida caseira, a R$ 45 o prato executivo. Fica a três quadras, na Rua das Flores, cento e vinte. Se quiser algo mais sofisticado, tem o Mesa do Cheff, a cinco minutos de carro, mas precisa reservar."
Luísa leu a resposta em voz alta para Carlos, que estava deitado no sofá com o celular na mão.
— Cantinho da Rosa. Rua das Flores. Prato executivo a quarenta e cinco reais.
— Parece bom — ele disse sem tirar os olhos da tela.
— E ela respondeu rápido.
— Pois é.
Luísa mandou mais uma mensagem: "O Cantinho da Rosa precisa reservar?"
"Não, é por ordem de chegada. Mas chega cedo, tipo dezoito e meia, porque enche rápido. Diz que foi a Mariana do Airbnb que indicou, a Rosa dá uma cortesia."
"Obrigada, Mariana!"
Ela guardou o celular na bolsa e passou o batom no espelho da entrada.
— Vamos antes das seis e meia.
— Eu já ouvi — Carlos disse, levantando-se do sofá.
— Ela falou que dá uma cortesia se a gente falar que foi ela quem indicou.
— Isso é que é hospitalidade.
Eles saíram, a chave na mão, o sol da tarde ainda claro na rua. Três quadras andando, o cheiro de comida caseira vindo de algum lugar à frente.
*Continua em: 613 — Como perguntar ao recepcionista do cruzeiro sobre os restaurantes?*