A recepção do hotel era ampla, com piso de mármore bege e um lustre de vidro no centro do teto. Luísa apoiou os cotovelos no balcão de granito escuro. O recepcionista atrás do balcão usava um crachá prateado com o nome "Rafael".
— Boa noite — ela disse. — A gente chegou agora e queria jantar. Pode recomendar algum restaurante perto?
Rafael sorriu, aliviado.
— Claro. Que tipo a senhora prefere?
— Ah... Comida local, de preferência. Algo que não seja turístico demais.
Ele virou o monitor na direção dela.
— Tem dois lugares que eu sempre indico. Um é uma cantina italiana a duas quadras, o Luigi's. Comida boa, preço justo, mas é pequeno, costuma lotar.
— E o outro?
— Um bar de frutos do mar na orla, o Maré Alta. Precisa caminhar uns dez minutos, mas a vista compensa. O peixe é fresco, vem direto do mercado.
Carlos chegou ao lado dela com as malas.
— Achou algo?
— O Rafael tá indicando dois lugares.
O recepcionista puxou dois cartões de visita de um suporte na bancada. Entregou para Luísa com um mapa da cidade impresso numa folha.
— O Luigi's fecha às vinte e três horas. O Maré Alta fica aberto até meia-noite. Se quiser, posso ligar pra reservar.
— Pode ligar pro Maré Alta? Acho que a vista vai ser legal.
Rafael pegou o telefone, discou, falou rápido com alguém do outro lado.
— Mesa para dois, daqui a quarenta minutos, ok?
— Perfeito.
Ele desligou e anotou a reserva num bloco.
— Seu nome?
— Luísa.
— Mesa pra Luísa, vinte e uma horas, no nome do hotel. Se precisar de indicação de café da manhã amanhã, é só perguntar.
— Obrigada, Rafael.
— Disponha.
Ela pegou o cartão do Maré Alta e guardou na bolsa. No elevador, Carlos olhou para ela.
— Ele reservou numa chamada.
— Pois é. E eu estava aqui pensando que ia ter que ficar procurando no celular.
O elevador subiu. O cartão do restaurante estava morno na mão dela.
*Continua em: 611 — Como pedir ao guia turístico recomendação de restaurante?*