O restaurante estava no ponto da noite em que as mesas começam a esvaziar. Luísa terminou o prato principal — um salmão com legumes — e sentiu que não ia conseguir comer mais nada.
O garçom passou recolhendo os pratos de uma mesa vizinha.
— Dá pra pedir o resto pra viagem? — ela perguntou para Carlos.
Ele estava na metade do copo de cerveja.
— Acho que sim. É só pedir.
Luísa ergueu a mão para chamar o garçom, mas o movimento saiu tímido. O garçom não viu. Ela baixou a mão.
— Só chama ele — Carlos disse.
— Eu sei, to pensando como falar.
Ela nunca tinha pedido isso num restaurante um pouco mais fino. Parecia estranho. Como se estivesse violando alguma regra não escrita.
O garçom passou perto da mesa deles, recolhendo um guardanapo do chão. Luísa aproveitou.
— Moço?
Ele virou.
— A senhora precisa de algo?
— Sim. Esse prato aqui... o salmão. Dá pra embalar? Não terminei.
Ela apontou para o prato. O garçom olhou, sorriu.
— Claro, sem problemas. Já trago uma marmita.
Ele levou o prato. Carlos apoiou o queixo na mão.
— Viu? Não precisa de discurso.
— Eu sei. É que parece pedir favor.
— É serviço. Eles fazem isso todo dia.
O garçom voltou depois de alguns minutos com uma embalagem branca, bem fechada, o salmão dentro com os legumes do lado, o molho separado num potinho. Colocou dentro de uma sacola de papel.
— O molho vai separado pra não molhar os legumes — ele disse. — Depois é só aquecer uns três minutinhos no micro-ondas.
— Obrigada — Luísa disse.
Ela segurou a sacola no colo enquanto Carlos pagava a conta. No caminho de volta para o hotel, o cheiro do salmão atravessava o papel. Ela pensou que amanhã no café da manhã tinha almoço.
*Continua em: 605 — Como dividir a conta com amigos?*