O garçom chegou com a máquina na mão e o papelzinho dobrado sobre a bandeja de couro. Colocou sobre a mesa com um gesto discreto, entre o prato de Carlos e a taça de Luísa.
— Quando puderem — disse, e se afastou.
Carlos olhou para o papel. O total: R$ 147,00.
— Deixa que eu pago — ele disse, rápido, esticando a mão para pegar a conta.
Luísa colocou a mão em cima do papel antes dele alcançar.
— Nem pensar. Metade cada um.
— Mas eu convidei.
— E eu aceitei. Metade.
Carlos puxou a carteira do bolso. Ela já estava com o celular na mão, o aplicativo do banco aberto.
— Lu, deixa dessa vez.
— Carlos, a gente divide. Ponto.
Ele suspirou. Passou a mão na nuca. O restaurante estava cheio, o burburinho das mesas ao redor, o tilintar de talheres contra louça. Uma garrafa de vinho vazia entre eles, dois pratos limpos, uma sobremesa pela metade.
— Tá — ele disse. — Mas na próxima eu pago inteiro.
— Na próxima a gente vê.
Ela fez o PIX. Ele fez o PIX. O celular dele apitou com a confirmação. R$ 73,50. O mesmo valor que ela pagou.
O garçom passou de volta, Carlos entregou a maquininha com o comprovante. O homem conferiu, agradeceu, e levou a bandeja.
Luísa tomou o último gole de água. Carlos olhou para ela do outro lado da mesa. Uma luz amarela do abajur da parede pegava no cabelo dela.
— Você é teimosa — ele disse.
— Você é orgulhoso. A gente se completa.
Ele riu. Chamou o garçom para pedir a conta com café.
*Continua em: 604 — Como pedir um prato para viagem?*