O restaurante estava cheio e a fila de espera se arrastava. Luísa e Carlos estavam sentados no bar, cada um com uma taça de vinho, quando ela lembrou do carro.
— Quanto tempo a gente pode ficar? — ela perguntou.
— Até o jantar acabar — Carlos respondeu.
— Não, no estacionamento. Será que tem limite?
Ela chamou o garçom.
— O manobrista que estacionou nosso carro, ele fica até que horas?
— Acho que até o restaurante fechar — o garçom disse. — Mas se quiser confirmar, posso chamar ele.
— Chama, por favor.
O garçom sumiu para os fundos. Minutos depois, o manobrista Rafael apareceu na porta do salão. Luísa foi até ele.
— Oi. O jantar vai demorar um pouco. Até que horas vocês ficam?
— A gente fica até o último cliente — ele respondeu. — Mas o estacionamento fecha meia-noite. Depois desse horário, o carro fica na rua.
— E se passar da meia-noite?
— Aí o senhor vai ter que tirar o carro e estacionar em outro lugar. Ou pagar uma taxa extra pro estacionamento.
Luísa olhou o relógio na parede. 21h40. Dava tempo.
— Tranquilo. A gente sai antes disso.
— Fica à vontade. Se precisar ir antes, é só me chamar.
Ele voltou para a porta. Luísa sentou de novo.
— Meia-noite — ela disse para Carlos. — Limite.
— Tá suave. A gente não vai ficar até meia-noite.
Ela pegou a taça, tomou um gole. O vinho estava bom. A noite também.
*Continua em: livreto-603.md — Dividir a conta*