Como conversar com o manobrista sobre a validade do tíquete?

Carlos

O manobrista entregou o tíquete quando Carlos estacionou. Um papel pequeno, térmico, com um número e um carimbo. Carlos guardou no bolso da camisa sem olhar direito.

Três horas depois, na saída do restaurante, ele entregou o tíquete para o mesmo manobrista de bigode grisalho.

— Pode buscar?

O homem olhou o tíquete, virou ele, franziu a testa.

— Esse tíquete é do outro estacionamento.

— Como assim?

— O senhor estacionou aqui na frente? Ou eu deixei no estacionamento coberto?

— No coberto.

— Então o tíquete é esse aqui?

Ele mostrou outro papel, com um número diferente, que ele tirou do bolso do colete. Carlos olhou os dois. Tinha pegado o papel errado quando o manobrista deu as opções.

— Peguei o errado — Carlos disse, a voz meio baixa.

— Sem problema. O senhor lembra onde estacionou?

— No fundo, coberto. Vaga perto da parede.

O manobrista assentiu.

— Sei qual é. Vou buscar.

Ele foi. Carlos ficou na porta, as mãos nos bolsos. Luísa chegou.

— Deu problema?

— Peguei o tíquete errado.

— E ele foi buscar mesmo assim?

— Foi.

O manobrista voltou com o carro cinco minutos depois. Desceu, entregou a chave.

— O tíquete certo tava no carro — ele disse. — O senhor tinha deixado no porta-luvas.

Carlos pegou a chave, sentindo o metal na mão.

— Valeu. Desculpa o transtorno.

— Imagina. Acontece direto. Só não perde o tíquete, senão complica na hora de cadastrar.

— Vou guardar esse.

Ele colocou o papel certo no bolso de dentro da jaqueta.

*Continua em: livreto-602.md — Luísa — Como conversar com o manobrista sobre o prazo máximo de permanência*