O jantar tinha terminado. O garçom trouxe a conta numa bandeja de couro, e Luísa pagou com o cartão. Enquanto esperava a maquininha, ela pensou no carro.
— Vou pedir o carro — ela disse, se levantando.
Foi até a porta. O manobrista Rafael estava encostado na parede, mexendo no celular. Levantou a cabeça quando ela se aproximou.
— Já vai?
— Vou. Pode buscar o carro?
— Claro. Já volto.
Ele saiu andando rápido, o colete amarelo sumindo na esquina. Passaram-se cinco minutos. Depois dez.
Luísa ficou na porta do restaurante, olhando a rua. Carlos apareceu atrás dela.
— Demorou?
— Tá demorando.
Mais dois minutos. O manobrista apareceu de volta, a pé, sem o carro. Luísa sentiu um aperto.
— Moça — ele disse, chegando perto. — O estacionamento ficou cheio. Tive que deixar o carro num segundo estacionamento, a três quadras. Vou ter que andar até lá pra trazer. Uns cinco minutos.
— Três quadras?
— É. O principal lotou. Mas é coberto e seguro, pode ficar tranquila.
Luísa suspirou. Não tinha o que fazer.
— Quanto tempo mais?
— Uns quinze minutos, no máximo. Já volto.
Ele saiu andando rápido. Luísa ficou na porta, os braços cruzados.
— Três quadras — ela repetiu para Carlos.
— Pior que não ter onde estacionar.
— É, verdade.
Ela apoiou o ombro na parede. O vento da noite batia no rosto, fresco. Esperar fazia parte.
Dez minutos depois, o carro apareceu na esquina. O manobrista estacionou na frente deles, desceu e entregou a chave.
— Desculpa a demora.
— Tudo bem — Luísa disse. — Obrigada.
*Continua em: livreto-601.md — Carlos — Como conversar com o manobrista sobre a validade do tíquete*