O carro de Carlos era um hatch usado, nada especial. Mas ele tinha um cuidado: gostava de estacionar em vaga coberta, longe de carro dos lados. Não queria portas amassadas.
— O senhor pode estacionar onde quiser — o manobrista disse quando Carlos entregou a chave.
— Na verdade, eu queria pedir uma coisa.
— Fala.
— Se tiver vaga coberta, estaciona coberto. E longe de outros carros, se possível.
O manobrista — um senhor mais velho, bigode grisalho, crachá da empresa — olhou para o carro e depois para Carlos.
— Pode deixar. Tem uma vaga no fundo, coberta, que costuma ficar vazia. Vou deixar lá.
— Valeu.
— Mas ó — o manobrista completou —, se não tiver, vou deixar no melhor lugar que encontrar.
— Justo.
Carlos deu a chave. O homem entrou no carro, ajustou o banco, ligou o motor. O carro se afastou devagar, virou a esquina e sumiu.
No salão do restaurante, Carlos sentou na mesa que o garçom indicou. Luísa já estava folheando o cardápio.
— Pediu pra ele deixar num lugar específico? — ela perguntou.
— Pedi. Se tiver coberta.
— E ele vai fazer?
— Falou que sim. Se der.
Ela sorriu. Abriu o cardápio na página das entradas.
— Torço pra que tenha vaga.
*Continua em: livreto-600.md — Luísa — Como conversar com o manobrista sobre a distância do estacionamento*