Como perguntar ao manobrista se ele tem habilitação?

Luísa

O restaurante era numa rua movimentada, sem vaga na porta. Na calçada, uma placa luminosa: "MANOBRISTA — ESTACIONAMENTO R$ 30". Um rapaz de colete amarelo se aproximou do carro assim que Luísa estacionou meio em cima da calçada.

Ele bateu no vidro. Luísa abaixou.

— Boa noite — ele disse, o colete refletindo o farol de outro carro. — Vai jantar? Pode deixar o carro comigo.

— O estacionamento fica longe? — ela perguntou.

— Não, é ali na rua de cima, coberto. Seguro.

Luísa olhou para Carlos. Ele deu de ombros.

Ela olhou de volta para o manobrista. O rapaz parecia ter uns vinte e poucos anos, barba feita, crachá pendurado no colete. Ela leu o nome: "Rafael".

— Você tem habilitação? — ela perguntou.

O rapaz piscou. Não pareceu ofendido. Tirou a carteira do bolso e mostrou, aberta, a foto dele, o nome, a categoria.

— Tenho sim, senhora. Categoria B. Tô nessa há dois anos.

Luísa leu rápido. Parecia verdade. A foto batia.

— É que é carro novo — ela disse, meio se desculpando.

— Pode ficar tranquila. Vou tratar bem. — Ele sorriu. — Se acontecer alguma coisa, o restaurante cobre.

Luísa desligou o carro, tirou a chave e entregou.

— Estaciona na frente, por favor. E guarda o tíquete.

— Pode deixar. Vou buscar na hora que chamar.

Ela saiu do carro, ajeitou a bolsa no ombro. Carlos já estava na porta do restaurante, esperando.

— Perguntou? — ele disse.

— Perguntei.

— E?

— Ele tem. Mostrou a carteira.

Carlos segurou a porta para ela. O ar condicionado do restaurante bateu no rosto.

*Continua em: livreto-599.md — Carlos — Como perguntar se o manobrista pode estacionar em vaga específica*