Eram 23h30. Luísa estava deitada no beliche de cima, os olhos fechados, o travesseiro abraçado. Ela estava quase dormindo quando a porta do quarto abriu.
Luz do corredor invadiu o quarto. Ela sentiu pelo barulho que eram duas pessoas. Riam baixinho, mas não tão baixo. A porta fechou com um clique, mas elas continuaram conversando.
Sussurros que não eram sussurros. Um plástico sendo aberto. Uma risada.
Luísa abriu os olhos e olhou para o teto escuro. Ela esperou. Elas continuaram.
No beliche de baixo, Carlos virou de lado. Ela ouviu o colchão gemer.
As conversas continuaram. Uma delas abriu a torneira do banheiro. Água correndo.
Luísa respirou fundo. Hesitou. Ela não gostava de confronto. Mas também não ia conseguir dormir.
Ela se virou para a borda do beliche, a cabeça pendendo para baixo.
— Gente — ela disse, a voz baixa. — Dá pra fazer menos barulho? Tô tentando dormir.
Silêncio.
— Ah, desculpa — uma voz feminina respondeu. — A gente veio do rolê, nem percebemos.
— Tudo bem. Só… o quarto é compartilhado.
— É, verdade. Foi mal.
Luísa virou de volta para a parede. Nos segundos seguintes, só ouviu passos cuidadosos, a porta do banheiro fechando devagar.
Depois, silêncio.
Ela fechou os olhos. Não precisou esperar muito para o sono vir.
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