A água do chuveiro estava quente, o banho foi demorado. Luísa saiu com uma toalha enrolada no corpo, o cabelo escorrendo, pingos no chão do corredor.
Ela secou o corpo, vestiu a roupa. Olhou no espelho do quarto. O cabelo estava uma pasta, grudado na testa.
— Esqueci o secador em casa — ela disse para Carlos, que estava deitado no beliche lendo o celular.
— Tá usando ele aqui?
— Não, mas minha mãe sempre leva. Hotel tem, né?
— Hostel não é hotel.
Ela sabia. Mas resolveu tentar.
Foi até a recepção, passando a mão no cabelo para tirar o excesso de água. A moça de cabelo cacheado estava sentada, um headphone no pescoço, tomando água.
— Tem secador de cabelo emprestado? — Luísa perguntou.
— Tenho sim. Só um, mas ninguém pediu ainda hoje.
Ela se abaixou, abriu um armário atrás do balcão e tirou um secador preto, o fio enrolado com cuidado, o bocal de plástico meio amassado. Entregou para Luísa.
— Pode usar lá no banheiro. Tem tomada perto do espelho. Depois devolve, por favor.
— Claro. Obrigada.
Luísa levou o secador para o banheiro. Ligou na tomada. O barulho encheu o espaço pequeno, quente e forte. Ela passou os dedos no cabelo, separando os fios, o ar quente secando a nuca.
Quando terminou, enrolou o fio do secador como estava quando pegou e devolveu na recepção.
— Já devolvi — ela disse.
— Valeu. Se precisar de novo, é só pedir.
Luísa voltou para o quarto, o cabelo seco e leve. Carlos olhou para ela.
— Rápido.
— Tinha secador.
— Hostel tem secador?
— Esse tem.
*Continua em: livreto-593.md — Carlos — Como pedir adaptador de tomada no hostel*