Como pedir ao recepcionista do hostel para trocar de dormitório?

Carlos

A primeira noite no quarto compartilhado tinha sido difícil. Não por causa do barulho — todos estavam quietos. Mas um dos mochileiros roncava. Não era um ronco leve. Era um ronco profundo, de máquina, que vibrava no colchão.

Carlos acordou três vezes. Na terceira, já eram 4h da manhã e ele estava encarando o teto escuro, contando as tábuas do beliche de cima.

Pela manhã, ele estava exausto. Sentou na beirada da cama, a cabeça pesada, os olhos ardendo.

— Você não dormiu — Luísa disse, aparecendo na porta do quarto. Ela já estava vestida.

— O cara roncou a noite inteira.

— Nossa.

— Não é culpa dele, mas…

Ele passou a mão no rosto. Levantou, vestiu a calça e foi direto para a recepção. O rapaz de barba estava tomando café, a caneca na mão.

— Oi — Carlos disse, a voz rouca. — Tem como trocar de quarto? O camarista ao lado roncou a noite toda, não consegui dormir.

O recepcionista olhou para ele com simpatia.

— Qual é o seu quarto?

— Seis camas, terceira porta.

— O dormitório feminino tem vaga — ele disse. — Mas você não pode ficar lá, é só pra mulher. O outro masculino, de quatro camas, tem uma cama livre. Só que é mais caro, vinte reais a mais a diária.

Carlos hesitou. Vinte reais.

— Se quiser, dou desconto — o recepcionista completou. — Quinze. E você muda hoje.

— Fechou.

O rapaz pegou a chave, anotou alguma coisa no caderno, e entregou para Carlos.

— Quarto 7, segunda porta à direita no corredor de cima. Beliche de baixo.

— Valeu.

Carlos subiu as escadas com a mochila nas costas. O novo quarto era menor, mas mais silencioso. Um mochileiro dormia no beliche de cima, cobertor até a cabeça. Carlos colocou a mochila na cama vazia e sentou.

Silêncio. Ele fechou os olhos por um segundo, só para sentir.

*Continua em: livreto-592.md — Luísa — Como pedir secador de cabelo emprestado no hostel*