O terceiro dia no hostel amanheceu com céu azul e a cidade chamando. Luísa estava na área externa, tomando café numa caneca de porcelana grossa, os pés apoiados numa cadeira vazia.
Ela não queria ir embora no dia seguinte.
— Carlos — ela disse quando ele apareceu na porta, esfregando o olho. — Vamos ficar mais um dia?
— A gente já pagou até amanhã.
— A gente estende.
Ele bocejou. Sentou na cadeira ao lado, o sol batendo no rosto.
— Pergunta na recepção.
Luísa terminou o café, lavou a caneca na pia da cozinha, e foi até o balcão. A moça de cabelo cacheado estava organizando uns papéis.
— Oi — Luísa disse. — A gente queria esticar a estadia por mais uma noite. Tem vaga?
— Vou ver.
Ela virou o computador, digitou alguma coisa. Esperou. Luísa sentiu o coração bater um pouco mais forte — torcendo que sim.
— Tem, sim. Mesmo quarto, mesma cama.
— Ah, que bom!
— Só preciso registrar o pagamento. Mais uma diária, mais a taxa de turismo.
— Quanto dá?
A moça calculou no teclado.
— Cento e vinte a diária, mais cinco da taxa.
— Cento e vinte e cinco.
— Isso.
Luísa passou o cartão, a maquininha imprimindo o papel em silêncio. Ela assinou o nome, rasgou o comprovante.
— Pronto — a recepcionista disse. — Check-out depois de amanhã, 11h.
— Obrigada.
Ela voltou para a área externa. Carlos estava com a caneca de café na mão, olhando a rua.
— Deu certo?
— Mais um dia.
Ele sorriu. Não disse nada. Mas levantou a caneca, num brinde silencioso.
*Continua em: livreto-591.md — Carlos — Como pedir para trocar de dormitório no hostel*