A tarde estava quente e Luísa estava com vontade de comer algo que não fosse pão com manteiga. Ela tinha visto um mercadinho na esquina, duas quadras do hostel. E lembrou que a cozinha do hostel existia.
Ela foi até a recepção. A moça de cabelo cacheado estava no celular, mas levantou a cabeça quando Luísa se aproximou.
— Posso usar a cozinha pra fazer uma comida? — Luísa perguntou.
— Pode sim. Geladeira tem espaço, só colocar seu nome no que for seu. Os armários têm etiqueta — ela apontou para trás. — Os que tão sem etiqueta são uso comum. Guarde suas coisas nos que têm seu nome.
— Preciso avisar antes?
— Não. Mas depois de 21h não pode mais usar fogão, só microondas. É pra não atrapalhar quem tá dormindo.
Luísa assentiu. Voltou pro quarto, pegou a bolsa e foi até o mercadinho. Comprou macarrão, um tomate, um pedaço de queijo, uma cebola. Sacola plástica batendo na perna enquanto voltava.
Na cozinha, ninguém estava usando. Um fogão de quatro bocas, pia com uma peneira em cima, armários de madeira clara. Ela abriu um armário — tinha uma etiqueta em branco. Pegou uma caneta na mochila, escreveu "Luísa" e colou.
Enquanto a água fervia, um mochileiro entrou na cozinha com uma caneca. Japonês, moletom cinza.
— Oi — ele disse. — Posso usar a pia?
— Claro.
Ele lavou a caneca, encheu de água, colocou no microondas. Olhou para a panela de Luísa.
— Macarrão?
— É. Rápido.
— Bom. Cozinha de hostel é melhor que comer fora todo dia.
— Tô descobrindo.
O microondas apitou. Ele pegou a caneca e saiu com um aceno de cabeça. Luísa mexeu o macarrão, o vapor subindo no rosto.
*Continua em: livreto-589.md — Carlos — Como perguntar sobre taxa de turismo no hostel*