O despertador tocou 7h15. Luísa esticou o braço para desligar, os olhos ainda pesados de sono. O quarto estava silencioso, só a respiração do pessoal nos beliches.
Ela sentou, passou a mão no cabelo. O estômago roncou.
— Café — ela sussurrou.
Vestiu o moletom por cima da camiseta e foi para a recepção. A moça do cabelo cacheado estava atrás do balcão, passando pano num copo.
— Bom dia. O café da manhã já começou?
— Já, sim. É ali no fundo, sala ao lado da cozinha. Pode entrar.
— Até que horas?
— Até 9h. Mas se quiser, pode pegar fruta pra levar. A gente deixa maçã e banana à vontade.
Luísa seguiu a indicação. A sala era pequena, com duas mesas compridas de madeira e bancos de ambos os lados. Uma mochileira com dreads estava sentada sozinha comendo pão com manteiga e lendo um livro.
Na bancada: um bule de café grande, uma jarra de leite, pão francês numa cesta, manteiga, requeijão, e uma tigela com bananas e maçãs. Simples, mas honesto.
Luísa serviu uma caneca de café. O cheiro subiu, quente e amargo. Ela pingou um pouco de leite, pegou um pão e sentou.
A moça de dreads levantou os olhos do livro.
— É o primeiro dia?
— Segundo — Luísa respondeu.
— Eu tô aqui há cinco. O café é sempre isso, mas o pão é quente. Eles trazem fresco às 7h.
Luísa mordeu o pão. Crosta crocante, miolo macio. Ela tinha razão.
— Valeu pela dica.
— De nada.
Luísa comeu devagar, vendo o sol entrar pela janela da salinha. No balcão, a caneca de café esquentava a mão.
*Continua em: livreto-587.md — Carlos — Como pedir armário com cadeado no hostel*