O sol já tinha se posto e o hostel estava mais animado. Luz amarela do abajur na sala comum, alguém tocando violão num canto, uma menina de trança comprida escrevendo num caderno de capa de couro.
Carlos estava no sofá, o mapa aberto no colo, mas a atenção estava na conversa ao lado. Dois gringos perguntavam ao recepcionista — agora uma moça de cabelo cacheado preso num coque — sobre a vida noturna. Ela respondia em inglês, com sotaque, mas fluente.
— Tem um bar ali na rua de cima — ela disse. — Toca samba ao vivo quinta a sábado. Mas pra festa mesmo, a república ali perto da universidade faz festa toda sexta.
Carlos esperou os gringos saírem. Levantou do sofá e foi até o balcão.
— Oi.
A moça levantou os olhos do celular.
— Fala.
— Eu queria saber... tem alguma festa hoje? Na cidade?
— Hoje? — Ela pensou. — Sexta, né? Tem o samba ali perto que eu falei. E tem uma festa num clube ali perto do rio, mas é mais eletrônica.
— Qual que é mais… — ele procurou a palavra — animada?
— O samba. Começa umas 21h, entrada dez reais. Vai bastante gente do hostel.
— E como chega lá?
— Dobra a rua do mercado, reta até o terceiro farol, vira à direita. Não tem erro. Mas se quiser colar com a galera, o pessoal vai sair daqui umas 20h30.
Carlos olhou para o relógio na parede. 19h45.
— Valeu.
— Vai sim — ela disse, sorrindo. — Você vai gostar.
Ele voltou para o sofá, dobrou o mapa. Luísa apareceu na porta do corredor, secando o cabelo com uma toalha.
— Vai ter samba hoje — ele disse.
— Samba?
— Disseram que é bom. O pessoal do hostel vai.
Luísa sorriu, a toalha pendurada no ombro.
— Então vamos.
*Continua em: livreto-586.md — Luísa — Como perguntar sobre o café da manhã no hostel*