A manhã no hostel era silenciosa. Luísa desceu do beliche, os pés encontrando o chinelo no chão frio. A luz do corredor entrava por baixo da porta, uma tira clara no quarto escuro.
Ela abriu a mochila, procurou o celular. Bateria fraca. E o mapa? Ela tinha baixado antes de sair de casa, mas com a bateria nessa situação…
— Vou pedir na recepção — ela murmurou.
Carlos ainda dormia, cobertor até o queixo, um braço para fora.
Na recepção, o mesmo rapaz de boné do dia anterior estava tomando café numa caneca esmaltada. Ele levantou a caneca quando viu Luísa.
— Bom dia.
— Bom dia — ela disse, apoiando o cotovelo no balcão. — Vocês têm mapa da cidade? Em papel?
— Tenho sim.
Ele se abaixou, abriu uma gaveta e tirou um mapa dobrado, meio amassado na dobra do meio. Uma capa colorida com o nome da cidade em letras grandes. Ele estendeu para ela.
— Esse é o mapa turístico. Tem os pontos principais, as linhas de ônibus, os bairros.
Luísa abriu o mapa em cima do balcão. O papel tinha cheiro de gráfica, tinta fresca. Ela passou o dedo sobre o centro, onde estava marcado um ponto vermelho com "Você está aqui".
— O mercado municipal fica onde?
O recepcionista se aproximou, apontou com o dedo.
— Aqui, a três quadras. E essa feirinha de artesanato, ó, aqui perto do rio. Aberta sábado e domingo.
— Hoje é sábado.
— Pois é.
Luísa sorriu. Dobrou o mapa com cuidado, colocou no bolso da calça.
— Obrigada.
— Depois devolve, se quiser. Não precisa comprar outro.
— Devolvo sim.
Ela voltou para o quarto, o mapa quente contra a coxa. Carlos estava sentado na cama, esfregando o olho.
— Consegui mapa — ela disse, abrindo o papel na cama. — Olha, tem feira hoje.
*Continua em: livreto-585.md — Carlos — Como pedir informações sobre festas locais no hostel*