A porta do Hostel Casa Verde rangeu quando Carlos empurrou. Era uma casa antiga convertida, com paredes amarelas desbotadas e um cheiro de café passado horas atrás. O balcão da recepção era de madeira grossa, cheio de adesivos de bandeiras e carimbos de passaportes.
— Boa tarde — o recepcionista disse, um cara jovem de barba por fazer e boné virado pra trás. — Vai fazer check-in?
— Isso — Carlos respondeu, colocando a mochila no chão.
— Você tem reserva?
— Pelo aplicativo. O nome é Carlos.
O rapaz digitou no computador, as unhas batendo no teclado. A tela refletia no rosto dele.
— Aqui. Quarto compartilhado, seis camas. Check-out é 11h, café das 7h às 9h, silêncio depois das 22h.
Carlos hesitou. Olhou para a placa na parede, cheia de regras escritas à mão. Cozinha até 21h. Não pode trazer visita depois das 23h. Cada hóspede é responsável pelos seus pertences.
— E... tem mais alguma regra? — ele perguntou. — Que eu preciso saber?
O recepcionista parou de digitar e olhou para ele.
— Boa pergunta. A gente pede pra não comer no dormitório, atrai formiga. E não pode pendurar roupa molhada no beliche, tem varal no quintal. De resto, é bom senso.
Carlos assentiu, aliviado. Era simples. Ele só precisava ter perguntado.
— Ah, e o chuveiro — o recepcionista completou. — A água quente demora uns dois minutos pra chegar. Não desiste no primeiro minuto.
— Valeu.
Carlos pegou a chave do armário, uma peça de metal pesada com um chaveiro de plástico no formato de uma folha. A recepcionista apontou para o corredor.
— Terceira porta à esquerda. Bem-vindo.
*Continua em: livreto-584.md — Luísa — Como pedir mapa da cidade no hostel*