Eram onze e meia da noite. Carlos estava deitado na cama, olhando para o teto. Do lado de fora, vindo do andar de cima, uma música pulsava grave. Baixo contínuo, uma batida surda que vibrava no travesseiro.
Luísa revirou na cama.
— Isso não vai parar?
— Parece festa.
— Já é quase meia-noite.
Carlos sentou na cama. A claridade do poste entrava pela persiana e desenhava listras no chão. Ele pensou em ligar para a polícia. Pensou em subir e bater na porta. Nenhuma das opções parecia boa.
— Fala com a Renata — Luísa disse, a voz meio sonolenta.
— Agora?
— Ela que é a host. Ela resolve.
Carlos pegou o celular na mesa de cabeceira. A claridade da tela ardeu nos olhos. Ele escreveu:
"Renata, boa noite. Desculpa incomodar a essa hora. Tem uma festa no andar de cima com música alta desde umas 22h. O som tá incomodando pra dormir. A senhora sabe de alguma coisa ou pode ajudar?"
Ele enviou e colocou o celular virado na mesa.
Uns vinte minutos depois, a música baixou. Depois parou de vez.
O celular vibrou.
"Acabei de falar com o vizinho. Era aniversário, já terminou. Desculpa o transtorno! Qualquer coisa é só avisar."
Carlos leu a mensagem e virou para Luísa, que já estava quase dormindo.
— Resolveu — ele disse baixinho.
Ela não respondeu. Mas a respiração já estava mais calma.
*Continua em: livreto-578.md — Luísa — Como pedir ao host do Airbnb a senha do wifi*