O saguão do hotel tinha pé-direito alto e um lustre de vidro que refletia a luz da manhã em pequenos pontos brilhantes nas paredes. Luísa parou em frente ao balcão da conciergerie, uma mesa de madeira escura com um vaso de flores amarelas e uma pilha de mapas turísticos.
O concierge era um homem de meia-idade, paletó cinza, sorriso profissional. Ele levantou os olhos quando Luísa se aproximou.
— Bom dia — ela disse. — A gente chegou ontem à noite e ainda não conhece nada da cidade.
— Bom dia, senhora. Posso ajudar com informações. Que tipo de passeio a senhora tem interesse?
Luísa sentiu aquele aperto rápido que vinha quando ela não sabia exatamente o que queria. Ela e Carlos tinham falado em fazer algo diferente, mas não definiram nada.
— Ainda não sei direito — ela riu, meio sem graça. — A gente quer algo que não seja tão turístico. Um lugar bonito, mas sem aquela multidão de gente.
O concierge assentiu e abriu uma pasta na mesa.
— Tem a trilha da Pedra do Mirante, que é mais tranquila. Aberta de terça a domingo, precisa de ingresso antecipado. Ou a vila de pescadores a quarenta minutos daqui, que tem uma feira de artesanato aos sábados.
— Hoje é sábado — Luísa disse.
— Sim, senhora.
Ela inclinou a cabeça, pensando. A feira de artesanato. Carlos ia gostar de andar por lá, comer alguma coisa típica.
— Como faz pra ir pra vila?
— Tem van saindo da praça central a cada hora. Ou o hotel pode agendar um transfer por quarenta reais por pessoa.
— Transfer é mais fácil.
O concierge anotou num papelzinho.
— A que horas a senhora gostaria de sair?
— Umas 10h? — Luísa olhou o relógio. — Dá tempo de tomar café.
Ele anotou e entregou o papel.
— O motorista vai estar na recepção às 9h50. Só pedir na portaria.
— Obrigada.
Luísa segurou o papel e virou para voltar ao elevador. No caminho, passou a mão no mapa turístico da pilha. Ela não sabia que era tão simples.
*Continua em: livreto-565.md — Carlos — Como perguntar ao concierge sobre a vida noturna local*