O sol entrava pela fresta da cortina do hotel, um risco estreito de luz que atravessava o quarto e ia parar no pé da cama. Carlos estava sentado na borda, cabelo molhado do banho, a toalha no ombro. O relógio na mesa de cabeceira marcava 9h47.
Ele olhou para a plaquinha pendurada na maçaneta da porta. "Não perturbe" de um lado. "Arrumar o quarto" do outro.
Luísa ainda dormia, o rosto virado para o travesseiro, o lençol subindo e descendo devagar.
— A gente vai sair daqui a pouco — Carlos murmurou, mais para si mesmo.
Ele queria arrumar o quarto antes de sair, mas também queria que arrumassem o quarto mais tarde, quando eles já tivessem voltado do café e dado uma volta. Não sabia direito como comunicar isso.
Passou a mão na nuca. Pegou o telefão do quarto e ficou segurando ele no colo.
— Alô? — a voz saiu fina.
— Recepção, bom dia — atendeu uma voz feminina, clara.
— É... eu queria saber como faz pra camareira arrumar o quarto mais tarde.
— O senhor pode deixar a plaquinha de "Arrumar o quarto" do lado de fora. A camareira passa pelos corredores até umas 14h.
— Ah. Só isso?
— Sim, senhor. Se quiser um horário específico, a gente pode anotar aqui. Que horas o senhor prefere?
Carlos pensou. Eles iam sair umas 10h30, voltar no fim da tarde antes do jantar.
— Umas 15h, se der.
— Vou registrar, senhor. A camareira vai passar depois das três.
— Obrigado.
Ele desligou. Olhou para o telefone. Era simples. Só precisava perguntar.
Ele levantou, abriu a porta devagar para não acordar Luísa, e virou a plaquinha. Depois voltou, sentou na cama de novo. Olhou para a Luísa dormindo. O cabelo espalhado no travesseiro.
— Resolvi — ele disse baixinho.
Ela nem mexeu.
*Continua em: livreto-564.md — Luísa — Como pedir informação sobre passeios ao concierge*