Como pedir ao segurança para chamar um supervisor?

Luísa

A bolsa de Luísa tinha passado pelo raio-x sem problemas. Ela já estava do outro lado, calçando os sapatos, quando viu o agente segurando a mochila de Carlos.

— Senhor, pode vir aqui?

Carlos estava do lado dela, colocando o cinto. Ele olhou para o agente.

— Eu?

— O senhor e a senhora. Os dois.

Luísa parou. A mochila de Carlos estava na mesa de inspeção, aberta. Um agente jovem, de cara fechada, mexia nas coisas.

— O que houve? — Carlos perguntou.

— O senhor tem um objeto pontiagudo aqui.

— Pontiagudo?

O agente tirou um abridor de cartas da mochila. Um objeto fino de metal, ponta afiada, que Carlos carregava desde a última viagem de trabalho.

— Isso não pode na bagagem de mão.

— É um abridor de cartas. Nem lembrava que estava aí.

— Mesmo assim, não pode.

Luísa olhou para o agente. Ele parecia decidido a não devolver o objeto. Mas a forma como segurava o abridor, o tom de voz, a rigidez — algo nela disse que o agente estava seguindo o protocolo sem considerar o contexto.

— Licença — Luísa disse. — O senhor pode chamar o supervisor?

O agente parou.

— Por quê?

— Porque é uma situação simples. A gente não sabia da regra. O objeto é pequeno. Mas se o senhor não pode resolver, o supervisor pode.

O agente hesitou. Respirou fundo. Virou e chamou uma supervisora que estava no fundo.

A supervisora veio, ouviu a história, olhou o abridor de cartas.

— O senhor quer despachar? — ela perguntou.

— Despachar?

— A gente pode colocar num envelope lacrado e despachar como bagagem. O senhor retira no destino.

— Pode?

— Pode.

— Então faz isso.

Ela colocou o abridor num envelope, lacrou, etiquetou e entregou o protocolo a Carlos.

— Retira no balcão da companhia no aeroporto de destino.

— Obrigado.

A supervisora acenou e voltou ao posto. O agente jovem ainda estava sério, mas não disse mais nada.

Luísa guardou o protocolo.

— Chamar o supervisor resolveu — ela disse.

— Você foi direta.

— Fui. Às vezes o agente não pode mudar a regra, mas o supervisor pode.

Eles seguiram. O abridor de cartas viajaria no porão do avião. Nem tudo precisa de briga. Às vezes só precisa de uma segunda opinião.

*Continua em: 563 — Pedir para camareira arrumar quarto mais tarde*