A esteira do raio-x parou. O agente olhou a imagem por alguns segundos, franziu o cenho e chamou o supervisor. Os dois falaram baixo, apontando para a tela.
— De quem é essa mochila preta? — o supervisor perguntou.
— Minha — Carlos respondeu.
— Pode abrir aqui, por favor?
Carlos olhou em volta. A fila atrás dele, as pessoas observando, uma senhora curiosa olhando de lado. A mochila estava cheia de roupas íntimas, um livro, o tablet. Ia abrir ali, no meio de todo mundo, com tudo exposto.
— Licença — ele disse baixo. — Dá para abrir num lugar mais reservado?
O supervisor parou. Olhou para ele.
— Não tem nada ilegal — Carlos explicou. — Só... tem coisas pessoais. Prefiro não abrir aqui na frente de todo mundo.
— Entendi. Vamos ali.
O supervisor apontou para uma mesa lateral, meio escondida atrás de um pilar. Carlos levou a mochila até lá. O supervisor colocou luvas e abriu com cuidado.
— Qual é o item que está embaçando a imagem?
— Deve ser o carregador de notebook. Tem um emaranhado de fios.
O supervisor revirou a mochila sem tirar tudo. Encontrou o carregador, passou no detector separado. Confirmou.
— É o carregador mesmo.
— Pode fechar?
— Pode.
Carlos fechou a mochila e agradeceu. O supervisor acenou e voltou para a esteira.
Ele colocou a mochila nas costas. A revista foi rápida e discreta. Só precisou pedir.
*Continua em: 562 — Luísa — Como pedir ao segurança para chamar um supervisor?*