A mochila estava na esteira do raio-x. Luísa esperava do outro lado, os olhos no monitor. A imagem passou, o agente acenou, ela pegou a mochila. Mas antes de sair, ela parou.
— Licença, posso perguntar uma coisa?
O agente virou o rosto. Um homem jovem, bigode fino, olhar cansado de quem já viu milhares de bags.
— Pois não.
— Eu trouxe um presente para minha sogra. É uma caixa de cerâmica artesanal. Não sei se pode passar no raio-x normal ou se precisa de inspeção manual.
— Cerâmica passa de boa no raio-x. Pode colocar na mochila sem problema.
— E perfume? Comprei um nacional, mas a embalagem é de vidro. Pode levar na bagagem de mão?
O agente balançou a cabeça.
— Líquido acima de cem mililitros não pode na mão. Tem que despachar.
— A embalagem é de cinquenta.
— Então pode. Desde que esteja no saco plástico transparente.
— Tá. E isqueiro?
— Um isqueiro pode na bagagem de mão, sem fogo. Mas não pode na despachada.
— E pilha?
— Pilha comum pode nos dois. Bateria de lítio, só na de mão.
— Obrigada.
— Imagina.
Luísa guardou as informações. Mais seguro perguntar do que ser chamada de volta.
*Continua em: 561 — Carlos — Como pedir para o segurança não abrir a mala na frente de todos?*