A bolsa estava aberta no balcão do café da manhã. Luísa revirava cada compartimento com as duas mãos. O salão do hotel tinha cheiro de pão quente e café fresco, mas ela não sentia nada.
— Não está aqui.
— Tem certeza? — Carlos perguntou.
— Passei a mão em tudo. Cadê a carteira dele na bolsa. O passaporte tava dentro.
— Pode ter caído?
— Não caiu. Foi levado.
Ela lembrou do metrô lotado na volta do passeio. O aperto na plataforma, o homem de mochila que esbarrou nela, o movimento brusco perto da bolsa. Na hora não sentiu nada.
— Tem que registrar no consulado — ela disse.
— Hoje?
— Agora.
O consulado abria às nove. Eram oito e meia. Chegaram antes da fila. Luísa entrou direto no setor de assistência ao brasileiro.
— Furto de passaporte — ela disse para a atendente.
— Já fez BO na polícia local?
— Ainda não. Fizemos primeiro aqui.
— Faz o BO online primeiro. Depois a gente registra a ocorrência consular.
Luísa sentou num terminal na parede. Preencheu o formulário de ocorrência online. Nome, número do passaporte, local do furto, descrição. Imprimiu o protocolo.
Voltou ao guichê.
— Aqui está.
A atendente leu o protocolo, conferiu os dados, abriu um formulário amarelo.
— Vou registrar a ocorrência consular. Com isso você consegue a segunda via. E pode viajar com a Autorização de Retorno ao Brasil, se precisar.
— Precisamos voltar em dez dias.
— A autorização resolve. Ela é válida pra embarque imediato.
A atendente carimbou o formulário, assinou, entregou.
— Guarda esse documento com cuidado. É seu passaporte temporário.
— Obrigada.
Luísa guardou o papel na pasta. Não era o passaporte original, mas era o suficiente para voltar para casa. O furto era um transtorno, mas tinha solução.
*Continua em: 551 — Carlos — Como pedir cadeira de rodas no aeroporto pelo telefone?*