— Cadê seu passaporte?
Carlos parou de mexer na mochila. Olhou para dentro. Tirou o nécessaire. Tirou a pasta de documentos. Tirou o tablet.
— Tá brincando.
— O quê?
— Perdi o passaporte.
Luísa parou no meio do quarto do hotel. A mala estava aberta na cama, roupas dobradas pela metade.
— Como assim perdeu?
— Não acho.
— Ele tava onde?
— No bolso interno da mochila. Guardei quando a gente chegou.
— E agora?
Ele passou a mão na nuca. Olhou para a mochila vazia, para a cama desfeita, para o chão.
— Vou no consulado. Pedir segunda via.
— Hoje?
— Quanto antes melhor.
O consulado ficava a vinte minutos do hotel. Carlos chegou na portaria, explicou a situação, foi encaminhado para um guichê de emergência. Uma funcionária de cabelo preso ouviu sem interromper.
— Perdi o passaporte?
— Perdi. Não sei onde. Pode ter sido no aeroporto, no táxi, em algum lugar.
— Boletim de ocorrência?
— Fiz online esta manhã. Aqui está.
Ele entregou o BO impresso. A funcionária leu, conferiu, anexou ao processo.
— Foto 5x7 recente?
— Trouxe.
Ele tirou do envelope. A foto era de dois dias atrás, tirada numa cabine de shopping.
— Formulário de solicitação de segunda via preenchido?
— Preenchido e assinado.
— Certidão de nascimento?
— Original e cópia autenticada.
— Pagamento da taxa?
— Ainda não. Quanto é?
— Trezentos e oitenta reais. Pode pagar aqui mesmo.
Carlos passou o cartão. A funcionária carimbou o formulário e entregou um protocolo amarelo.
— Prazo de entrega: quinze dias úteis. Pode retirar pessoalmente.
— Obrigado.
Ele saiu da sala aliviado. No corredor, Luísa esperava sentada.
— Conseguiu?
— Consegui. Quinze dias.
— Dá tempo.
— Dá.
Ele sentou ao lado dela. Perder o passaporte era um susto, mas não o fim do mundo. Bastava ir ao consulado com os documentos certos.
*Continua em: 550 — Luísa — Como registrar ocorrência de furto de passaporte no consulado?*