O guichê do consulado tinha um vidro grosso com um microfone embutido. Luísa encostou o passaporte velho no balcão. A capa verde-escura estava gasta, as bordas desfiadas de tanto uso.
— Bom dia. Preciso renovar meu passaporte.
A atendente do outro lado do vidro pegou o documento. Folheou as páginas visadas, carimbadas, algumas com manchas de água.
— Vence quando?
— Mês que vem. Dia doze.
— Trouxe os documentos?
Luísa abriu a pasta e tirou uma pilha organizada: formulário de renovação preenchido, foto 5x7 fundo branco, certidão de nascimento, comprovante de residência, protocolo de agendamento.
— Tudo aqui.
A atendente conferiu um por um. Passou o formulário pelo scanner, separou a foto, carimbou o protocolo.
— A taxa de renovação é trezentos e vinte reais.
— Pago aqui ou no banco?
— Aqui mesmo. Cartão ou dinheiro.
— Cartão.
Luísa passou o cartão na maquininha apoiada no balcão. A maquininha imprimiu o comprovante. Ela assinou e devolveu.
— Pronto. Seu novo passaporte fica pronto em vinte dias úteis. Pode retirar pessoalmente ou receber por correio.
— Correio é mais seguro?
— É. Registrado. Chega em casa.
— Prefiro correio então.
A atendente anotou o endereço no formulário e entregou um comprovante azul.
— Guarda isso. Qualquer dúvida, liga pro número aí no rodapé.
— Obrigada.
Luísa guardou o comprovante e saiu. Carlos estava no banco da recepção folheando o passaporte velho dela.
— Esse passaporte viajou — ele disse.
— Viajou bastante. Agora vai descansar na gaveta.
— O novo também vai viajar.
— Tomara.
Ela pegou o passaporte e guardou na bolsa. Vinte dias. Depois era só renovar o visto e seguir.
*Continua em: 549 — Carlos — Como pedir segunda via do passaporte no consulado?*