A sala de espera do consulado tinha cadeiras de plástico cinza e um quadro com instruções em três idiomas. Carlos estava sentado com a pasta de documentos no colo, o joelho balançando.
— Para de tremer a perna — Luísa disse baixinho.
— Não to tremendo.
— A cadeira inteira tá vibrando.
Ele parou. Respirou fundo. Olhou para a porta de madeira onde os candidatos entravam um a um.
— O que ela vai perguntar?
— As mesmas coisas que você treinou.
— Motivo da viagem, quanto tempo, o que faz, se volta.
— Isso.
Ele abriu a pasta. Dentro: passaporte, formulário DS-160, comprovante de trabalho, extrato bancário, reserva de hotel, passagem de volta.
— E se ela achar que vou ficar lá?
— Carlos.
— To falando sério.
— Você tem emprego, aluguel no seu nome, conta bancária, passagem de volta. O que mais precisa?
Ele fechou a pasta. A porta se abriu. Uma mulher de terno cinza chamou.
— Carlos Eduardo Almeida?
— Sou eu.
Ele levantou. A cade rangeu. Ele seguiu a mulher até uma sala pequena com mesa e duas cadeiras. Ela sentou atrás da mesa. Ele sentou na frente.
— Motivo da viagem?
— Turismo. Vou com minha namorada.
— Quantos dias?
— Quinze.
— Onde vai ficar?
— Hotel em Paris, cinco dias. Depois casa alugada no interior com a família dela.
— Profissão?
— Analista de operações. Trabalho numa transportadora.
Ele respondeu sem pausa. A mulher olhou os documentos, conferiu o extrato, devolveu.
— Seu visto está aprovado. Recebe o passaporte em casa em até dez dias.
— Obrigado.
Ele saiu. O ar do corredor parecia mais fresco. Luísa levantou quando o viu.
— Então?
— Aprovado.
— Eu disse.
Ele sentou ao lado dela. A pasta no colo pesava menos agora. A entrevista não era um teste de verdade. Era só mostrar que ele não tinha motivo para ficar.
*Continua em: 548 — Luísa — Como pedir renovação de passaporte no consulado?*