A fachada do consulado era discreta. Uma placa de metal com o brasão do país, uma bandeira hasteada do lado de fora, uma porta de vidro fumê. Luísa estava na calçada oposta, encostada no muro, observando.
— É ali? — Carlos perguntou.
— É.
— Parece uma casa.
— É uma casa. Eles compraram um casarão antigo e transformaram em consulado.
Ela atravessou a rua. Na portaria, um segurança de terno preto pediu identificação.
— Bom dia. Vim solicitar visto de turista.
— Tem agendamento?
— Tenho. Luísa Tolentino Martins, nove e meia.
O segurança conferiu a lista na prancheta e acenou.
— Pode entrar. Celular desligado na recepção, nada de bolsa no guichê.
— Ok.
Ela passou pela porta de vidro. O interior era silencioso. Uma sala de espera com cadeiras de couro preto, um balcão de vidro, funcionários atrás de computadores. Cheiro de papel e ar condicionado.
Luísa se aproximou do balcão. Uma funcionária de coque apertado e óculos de aro fino levantou os olhos.
— Bom dia.
— Bom dia. Solicitação de visto de turista.
— Passaporte e formulário preenchido.
Luísa abriu a pasta e tirou os documentos. Passaporte, formulário impresso, foto 3x4, comprovante de agendamento, extrato bancário, carta de trabalho.
A funcionária folheou cada página, conferiu as assinaturas, carimbou o formulário.
— Pagamento da taxa?
— Feito online. O comprovante está aqui.
Ela entregou outro papel. A funcionária anexou ao processo.
— Sua solicitação está registrada. O prazo é de quinze dias úteis. Vai receber um e-mail quando o visto for emitido.
— Obrigada.
Luísa guardou a pasta e saiu. Lá fora, Carlos esperava sentado num banco da calçada.
— Foi? — ele perguntou.
— Foi. Agora é esperar.
— Fácil assim?
— Fácil se você leva os documentos certos.
Ela sentou ao lado dele. O sol da manhã batia na fachada do consulado. Quinze dias. Depois era só arrumar as malas.
*Continua em: 547 — Carlos — Como se preparar para a entrevista de visto no consulado?*