O saguão do aeroporto era um labirinto de escadas rolantes, placas e corredores que se cruzavam. Carlos olhou para o letreiro suspenso: Desembarque Nacional à esquerda, Estacionamento à direita, Saída de Táxi em frente.
— Acho que é por ali — ele disse.
— Você disse isso há cinco minutos — Luísa respondeu. — E a gente deu a volta no mesmo lugar.
— O mapa é confuso.
— Não tem mapa. Tem placa.
Carlos parou. A mala atrás dele bateu no calcanhar de uma senhora que passava. Ele pediu desculpa. A senhora não ouviu.
— Vou perguntar.
— Pra quem?
Ele olhou em volta. Num canto perto do balcão de informações, um agente da Polícia Federal estava de pé, braços cruzados, olhando o movimento. Farda azul-marinho, coldre na cintura, expressão neutra.
Carlos se aproximou.
— Licença, agente.
O homem virou o rosto.
— Pois não?
— A gente tá procurando a saída do desembarque internacional. Pra pegar um Uber. A placa ali aponta pra direita, mas o mapa do app mostra que é pra esquerda.
O agente apontou com o queixo.
— Desce a escada rolante ali, vira à direita, passa pela porta de vidro. O ponto de embarque é na calçada coberta. O Uber pega no setor B.
— B?
— B de bola. Setor B. Tem uma placa amarela.
— Obrigado.
— Imagina.
Carlos voltou para Luísa.
— Escada rolante, direita, porta de vidro, setor B.
— Viu? Perguntar foi mais rápido que andar em círculo.
— Sei.
Eles desceram a escada rolante. A placa amarela do setor B apareceu na parede. Carlos seguiu em frente, o peso da mochila mais leve agora que sabia onde ir.
*Continua em: 546 — Luísa — Como solicitar um visto no consulado?*