Como responder ao fiscal da alfândega?

Luísa

A esteira de bagagens já estava vazia. Luísa e Carlos passaram pelo portão de desembarque e entraram na área da alfândega. O salão era amplo, com piso de granito brilhante e luz branca de teto alto.

— Documentos, por favor.

A voz veio de um agente de meia-idade, bigode grisalho, crachá na lapela. Ele apontou para o balcão ao lado.

Luísa parou. Carlos também.

— Nós? — Carlos perguntou.

— Vocês dois.

Luísa colocou a bolsa no balcão e abriu a mochila de mão. O agente olhou para dentro, mexendo os itens com a ponta dos dedos.

— Trouxeram algo para declarar?

— Só presentes de família — Luísa respondeu. — Roupas, livros, uma caixa de chocolate. Nada acima de quinhentos dólares.

— Nota fiscal?

— Tenho aqui.

Ela tirou do bolso lateral da mochila um envelope pardo com as notas fiscais organizadas. O agente folheou, conferiu os valores, devolveu.

— Abre a mala grande, por favor.

Carlos colocou a mala no chão, girou os cadeados, abriu. O agente passou a mão pelas laterais, levantou algumas peças de roupa, verificou o fundo da mala.

— O que é isso?

Ele apontou para um pacote embrulhado em plástico bolha.

— Uma xícara de porcelana — Luísa disse. — Presente para minha mãe. Tem a nota fiscal também.

Ela abriu o plástico com calma. Mostrou a xícara azul-marinho com detalhes dourados. O agente olhou, tocou, acenou.

— Pode guardar.

Ele fechou a mala, carimbou o formulário e devolveu o passaporte.

— Tudo certo. Boa estadia.

— Obrigada.

Luísa fechou a mala. Carlos pegou a alça.

— Você tá muito calma — ele disse.

— Não tenho nada a esconder. E organizei os documentos antes de viajar.

— Percebi.

Ela passou a alça da bolsa no ombro e seguiu em frente. O balcão da alfândega ficou para trás. Ter os papéis certos na hora certa fazia tudo mais simples.

*Continua em: 545 — Carlos — Como pedir ajuda a um agente da Polícia Federal no aeroporto?*