O tapete rolante deslizava devagar, as malas passando uma a uma sob a luz fria do aeroporto. Carlos ajustou a alça da mochila no ombro e olhou para a fileira de guichês da alfândega. Agentes de uniforme azul escuro observavam os passageiros com olhar treinado.
— Tá nervoso? — Luísa perguntou.
— Não.
— Você passou a mão na nuca três vezes.
Carlos baixou a mão. A fila andava. Um agente chamou um casal à frente para o balcão. O homem abriu a mala, tirou roupas, documentos. O agente folheou o passaporte, fez perguntas, devolveu.
— O que eles olham? — Carlos perguntou.
— Comportamento — Luísa respondeu. — Se você age como se estivesse escondendo algo.
— Mas não estou escondendo nada.
— Então age como quem não está.
Ele observou o agente. O homem não olhava para as malas. Olhava para as pessoas. O jeito que andavam, o olhar, a mão no bolso.
Carlos endireitou a postura. Colocou as mãos para fora dos bolsos. Olhou para frente sem desviar.
Quando chegou no guichê, o agente pediu o passaporte. Carlos entregou. Esperou. O agente carimbou e devolveu.
— Bem-vindo ao Brasil.
— Obrigado.
Ele passou. Do outro lado, Luísa esperava com um sorriso.
— Viu? — ela disse.
— Viu.
— Agora relaxa.
Ele respirou fundo. O ar do aeroporto tinha cheiro de café e combustível de avião. Estava em casa.
*Continua em: 544 — Luísa — Como responder ao fiscal da alfândega?*